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domingo, março 14, 2010

Torcida vaia adiamento de treino classificatório da Indy

Enquanto uns decidiram deixar o circuito, outros resolveram permanecer e aproveitar o ensolarado dia


Uma vaia tremenda ecoou pelo circuito do Anhembi após o anúncio do adiamento do treino de classificação da etapa de São Paulo de Fórmula Indy, que deveria acontecer na tarde deste sábado e passou para a manhã de domingo. A mudança na programação foi causada pela falta de segurança na pista, que passará por reparos emergenciais.


Apesar do descontentamento geral, a torcida se dividiu com a notícia do adiamento. Enquanto uns decidiram deixar o circuito, outros resolveram permanecer e aproveitar o ensolarado dia - ao invés da sessão de classificação, houve mais um treino livre, o terceiro deste sábado.


"É claro que não foi legal (a alteração na programação), mas também não dá para dizer que o dia está perdido", comentou o torcedor Carlos Barbosa, posicionado no Setor Azul do circuito. "O automobilismo brasileiro é tão carente deste tipo de evento que é importante o povo apoiar e entender quando algo não funciona direito", argumentou ele, que também reclamou da falta de divulgação. "Faltou o povo saber um pouco mais do que se tratava."


Já deixando o Setor Arena, rumo à saída do circuito, a família de João Peixe se mostrou insatisfeita com a mudança. "Puxa, chegamos aqui às 9 horas e bateu um desânimo quando disseram que mudou a programação. Agora o treino não vale nada, então vamos embora. Amanhã [domingo] vai ser melhor", disse o próprio João Peixe.


DESORGANIZAÇÃO


A desinformação dos atendentes, principalmente no acesso ao circuito, incomodou o torcedor que compareceu ao Anhembi neste sábado. "Demoramos mais de uma hora para conseguir entrar no circuito", contou João Peixe. "Tivemos que andar um bom trecho em busca de outro portão de acesso."


Já o torcedor Ivan Pereira Barbosa, também do Setor Arena, reclamou da falta de estacionamento próximo e de problemas na indicação de quais vias estariam interditadas. "A informação é de que a Santos Dumont e a Ponte do Anhembi estariam fechadas, mas não estavam", revelou.


Para Carlos Barbosa, que estava no Setor Azul, o problema foi a distância que os ônibus deixaram os torcedores. "Muito longe. Tivemos de andar um bom tanto. Acho que o ônibus poderia ter deixado a gente aqui dentro", reclamou.


Foto: Paulo Liebert/AE


Fonte: Estadão

Problema na pista da Indy surpreendeu, diz engenheiro

Tony Cotman, contratado para desenhar o circuito, corre para melhorar a aderência na reta do Sambódromo


O engenheiro neozelandês Tony Cotman, criador do circuito do Anhembi, admitiu que foi surpreendido com o problema de aderência na reta do Sambódromo, que recebeu muitas críticas dos pilotos durante os treinos livres deste sábado. Por causa disso, esse trecho da pista passará por reparos emergenciais durante a noite, para que a etapa de São Paulo da Fórmula Indy possa acontecer normalmente neste domingo, quando haverá a sessão de classificação e a corrida.

"Quando a desenhamos, não esperávamos que fosse problemática. É a primeira vez que vi um asfalto tão brilhante, o pneu passa e não ''cola'', a borracha não gruda. Pensei que a borracha traria a aderência, mas não aconteceu", explicou o engenheiro, que foi contratado pela Indy Racing League (IRL) e pela organização da prova para criar o circuito do Anhembi - ele é membro da comissão de autódromos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).


O resultado dos reparos emergenciais, que esperam criar aderência e aumentar a segurança na reta do Sambódromo, só poderá ser conferido na manhã deste domingo. "Agora o tempo corre contra, queremos que fique como está no pit lane [que tem asfalto por toda sua extensão], além de deixar o mais plano possível. Não é o ideal, mas é o que temos. O crítico será a parte de limpeza", contou Cotman.


Cotman também se defendeu das críticas de negligência sobre o problema. "Só fechamos o circuito na noite de sexta-feira, não dava para ter 100% antes disso. Não é uma solução blindada [as ranhuras que serão feitas na pista]. Se precisar, faremos outra coisa. A superfície da reta não é tão diferente de outras que já vimos e a preocupação é tornar o trecho o melhor possível", revelou o engenheiro.

Esta obra emergencial significará cortes na pista em 2 ou 3 milímetros de profundidade, por toda a extensão da reta do Sambódromo, a cada cinco a dez centímetros. O engenheiro descartou colocar asfalto no lugar do concreto, por causa do prazo curto e pelo forte risco de aumentar as ondulações. Cotman também disse que a largada e a chegada da prova estão mantidas para a reta do Sambódromo, sem mudar para a reta da Marginal como chegou a ser pensado.

Foto: Paulo liebert/AE

Fonte: Estadão