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domingo, outubro 26, 2008

TRANSPORTE DA FÓRMULA 1


FELIPE RODRIGUES
Da Gazeta de Piracicaba

O ar fresco das cinco horas da manhã de mais um sábado dá mostras de que, apesar do momentâneo clima agradável, mais um dia de sol quente vem por aí. Para os funcionários da Lubiani, o horário significa outra coisa: o término de uma das semanas mais importantes do ano. A empresa piracicabana é a responsável direta pelo transporte de carros e equipamentos que serão utilizados na última corrida do ano do campeonato da Fórmula 1, que acontece no autódromo de Interlagos, em São Paulo, no próximo final de semana.

Não tem como disfarçar a ansiedade. Tudo bem que o trabalho de transporte dos equipamentos da Fórmula 1 teve início na terça-feira e restam apenas três equipes (Toro Rosso, Red Bull e a Honda, do brasileiro Rubens Barrichello) para serem levadas do aeroporto de Viracopos, em Campinas, para a pista paulistana. Pouco importa. As conversas entre um gole e outro de café giram em torno da nova possibilidade de ver de perto as peças das máquinas, os carros e a pista que pode consagrar o piloto brasileiro Felipe Massa como novo campeão brasileiro da categoria, título que o país não comemora desde 1991.

Ao chegar ao aeroporto de Viracopos por volta das sete da manhã, a primeira cena que se vê é uma fileira de caminhões da Lubiani já com a carga, todos à espera do sinal verde para saída. São 37 só nesta viagem, como informa Jenival Dias Sampaio, diretor de Transportes e Operações da empresa. "No total, foram 90 que saíram daqui de Campinas durante a semana, outros 50 do porto de Santos e 12 do aeroporto de Guarulhos", explica. Falando grosso, mas sempre com bom-humor, Sampaio personifica a idéia de responsabilidade exigida na operação. "Isso aqui precisa de muito planejamento, nada pode dar errado", diz.

Este é o sétimo ano em que a Lubiani é a transportadora a levar os equipamentos da Fórmula 1 a Interlagos. Não é à toa que Sampaio, coordenador de toda operação, dormiu apenas quatro horas desde a última terça-feira. "É muita responsabilidade, embora seja mais um dia de trabalho como qualquer outro. O diferencial está exatamente neste planejamento", diz o motorista João Adão Paes Alves, de 57 anos, 35 deles na estrada. "A gente acordou cedo como sempre, vamos trabalhar como sempre, mas hoje é um dia em que a responsabilidade é maior", destaca José Luis Sabino, de 46 anos, 22 de profissão.

IMPACTANTE. Pouco antes das nove horas, a Polícia Rodoviária chega ao pátio do aeroporto de Viracopos. Um efetivo de 20 homens, em dez viaturas e dez motos fica responsável por escoltar o comboio da até a entrada do autódromo. São 37 caminhões que andarão uma distância de cerca de 110 quilômetros, sempre à uma velocidade média de 50 a 70 quilômetros por hora na Rodovia dos Bandeirantes e nas marginais Tietê e Pinheiros. "O trabalho do policiamento busca dar apoio à viagem", diz o tenente da Polícia Rodoviária Sanders Alves Romão.

O visual para quem vê de longe o comboio de caminhões pela estrada impressiona. A Polícia Rodoviária interdita entradas de postos de serviço e retornos, tudo para que os veículos, todos na primeira faixa da direita na rodovia, possam seguir sem problemas. Ao chegar em São Paulo, a escolta rodoviária dá lugar à Polícia Militar local, que realiza esquema semelhante. Os motoristas paulistanos que vissem a Marginal Pinheiros vazia, só com os caminhões enfileirados na faixa à esquerda da pista, poderiam achar que se tratava de alguma brincadeira. Nada não, só disciplina logística.

CHEGADA. Ao meio-dia, o primeiro caminhão chega na entrada do autódromo de Interlagos, em São Paulo. O percurso teve lá alguns percalços, como o trânsito abarrotado da rodovia dos Bandeirantes - até um acidente, sem relação com o comboio, aconteceu pelo caminho - mas, no geral, tudo correu bem. Ufa. Alguns funcionários comentam a grandiosidade da viagem, enquanto os motoristas não esperam para sentar ao chão e almoçar (alguns já serão chamados para levar o caminhão à região dos boxes, onde tudo será descarregado e o serviço enfim finalizado).

Mas, a parte complicada do trabalho não só se esgotou, como esgotou a todos. O cansaço é visível, mas recompensador. Para ajudar o astral, nada como contemplar o autódromo de Interlagos, ainda à espera dos ingredientes principais para o próximo espetáculo de automobilismo. A bela pista fica ainda mais charmosa ao se pensar que Piracicaba, afinal, ajudou uma vez mais a montar o tão famoso "circo da Fórmula 1".

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