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quarta-feira, dezembro 26, 2007

* STOCK CAR: RICARDO SPERAFICO AFIRMA QUE ERA QUESTÃO DE TEMPO PARA ALGUÉM MORRER.

Com a chegada do Natal, família Sperafico ainda sofre com a morte de Rafael e a busca por título em 2008 está na pauta dos irmãos Rodrigo e Ricardo

Ao contrário de outros anos, a celebração do Natal na casa do clã Sperafico em Toledo, no Oeste do Paraná não será a mesma. A tradicional festa não será tão animada, sobretudo pela recente perda de Rafael Sperafico, piloto da Stock Car Light que morreu na última etapa do ano, no dia 9 de dezembro, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Passadas duas semanas do trágico acidente, a ficha ainda parece não ter caído.

Muito ligado a Rafael, o vice-campeão da Stock em 2007 Rodrigo Sperafico mudou de equipe, e procurou evitar a imprensa nessas duas semanas. Já o seu irmão, Ricardo, aceitou falar com a reportagem da Gazeta do Povo Online e fez uma análise bastante grave do acidente que vitimou o seu primo. "Era questão de tempo para alguém morrer na Stock", declarou.

Os parâmetros para tal afirmação são apontados por Ricardo: um carro já defasado, circuitos "abandonados" e o excesso de pilotos. Uma solução, pelo menos para o terceiro motivo levantado por ele, está garantida. A organização da Stock divulgou ainda no começo da temporada que o grid seria reduzido de 38 para 34 carros apenas na categoria principal. "Acho que isso vai melhorar, nos treinos não tinha boxes para todo mundo, e dentro da pista era complicado. Acho que essa medida só ira manter os mais competitivos", disse Ricardo.

Mas para ele, os maiores problemas ainda permanecem sem solução. "Sei que o novo carro já está sendo testado há um ano, só que as equipes adiaram a estréia dele, antes prevista para 2008, para 2009. Acho que isso é ruim, é uma medida de contenção de despesas, parece que as equipes só estão pensando no lucro. O carro atual é muito obsoleto", criticou o piloto, complementando em seguida: "Em termos automobilísticos esse carro é muito ruim, porque ele não segue a lógica de um carro de corrida, tudo nele, suspensão, chassi, é bem ultrapassado, não reage como deveria ao acerto e ao piloto. O novo carro é bem melhor nesses aspectos e em segurança, principalmente".

A avaliação mais grave vem a seguir, e diz respeito aos autódromos. "O que houve em Interlagos, pra você ver, aconteceu em um circuito aprovado pela FIA. Porém, outros autódromos estão bem mais propícios a acidentes, alguns estados não investem nada em segurança, infra-estrutura e tudo mais. Corremos porque gostamos, mas faltam investimentos. A maioria dos circuitos está falida. Se você pegar Tarumã por exemplo, já tem uns 25 anos e nunca investiram nada em estrutura, banheiros e boxes. Campo Grande é muito apertado, já Londrina é muito perigoso, não tem áreas de escape. Ninguém gosta de correr lá. Mas até acontecer alguma coisa, ninguém faz nada. Está na hora de reverem essas coisas, depois do acidente não adianta. Tudo era questão de tempo", lamentou Ricardo Sperafico.

Apesar dos perigos, o piloto assegura que irá permanecer na categoria em 2008. As negociações com algumas equipes já estão em andamento. "A partir do momento em que você está dentro do carro, você tenta fazer o seu melhor. Só que nessas condições, os riscos são bem maiores". A meta, tanto dele quanto do irmão Rodrigo, é o título, como forma de homenagear o primo Rafael. "Vamos fazer de tudo para conseguir isso, pode ter certeza", concluiu Ricardo.

Organização da Stock Car se defende

Procurado pela Gazeta do Povo Online para comentar as afirmações de Ricardo Sperafico, o organizador da Stock Car, Carlos Col, refutou as insinuações de que o atual carro seja obsoleto e inseguro e classificou o acidente que vitimou Rafael Sperafico como “grande fatalidade em razão de ter reunido raras características”.

O dirigente, porém, admitiu que a segurança e os investimentos dos autódromos precisam aumentar.“O carro de 2009 é um projeto de oito anos, usando o que há de mais moderno em tecnologia para os padrões da categoria. A pedido das equipes, a estréia foi adiada. Quanto ao autódromos, a organização tem feito o que está ao seu alcance. Porém, existe uma quase total dependência do poder público, responsável pela manutenção dos mesmos”, afirmou Col.

O pedido das equipes teria sido feito porque o novo Stock iria custar cerca de R$ 450 mil por equipe, um investimento considerado ainda muito alto. Mas o atual, segundo Col, é muito seguro pelas demonstrações do passado em outros acidentes e pelo fato de ser um carro de alta potência.

Quanto à morte de Rafael Sperafico, o dirigente lamentou e assegurou que nenhum carro de turismo do mundo teria evitado o pior. “Uma batida lateral em T do lado do piloto, onde o carro do Rafael, parado, sofreu um impacto a 192 km/h, e provocou uma aceleração no corpo do piloto de 10 Gs. Isto foi o que ocasionou fratura na base do crânio do piloto. A estrutura do carro cumpriu seu papel quanto à integridade física. Consultamos os mais respeitados projetistas da atualidade, e obtivemos a opinião de que em idênticas circunstancias nenhum carro de turismo no mundo teria evitado a morte do Rafael”.

Para a próxima temporada, Carlos Col promete mudanças que vão além da redução do grid. O objetivo da organização é aprender com a fatalidade do acidente e trazer instrumentos que melhores a segurança de todos. “Os carros em 2008 irão contar com estruturas de absorção de energia, que irão colaborar em impactos de pequena proporção. É importante lembrar que acidentes fatais são inerentes a este esporte, em todas as suas categorias. Até na F-1, os brasileiros ainda se comovem com a perda de Ayrton Senna. Temos que seguir buscando inovações e aprendendo com os fatos”, finalizou Col.

fonte: GAZETA DO POVO

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